Parte Três das Partes Necessárias - Tudo cinza


 

O texto que se segue será preenchido por confusão abstrata e frases soltas. E embora me baste fechar os olhos para que a pessoa em questão me apareça à frente, não vou parar uma única vez para rever o que for escrevendo. 

Neste momento é-me incrivelmente importante encontrar a escrita que fui perdendo ao longo dos anos, e divagar sem rumo sempre me levou mais longe.

Sem mais demoras, obrigado por existires.



Tenho tanta pena de não conseguir escrever o que quero escrever.
De que cada palavra que sai nunca ser a que devia ter saído. 
E todas as tentativas do texto perfeito acabam fechadas numa gaveta que eu cá tenho, apertadas e guardadas para momento nenhum. Apontadas para paredes que nunca serão mais do que isso.


Para quê escrever, então? Principalmente quando algo perfeito merece apenas a perfeição? Que direito tenho eu de enterrar sentimentos reais em palavras ocas que não aguentam o peso dos arrepios que me dás?


são os olhos dela

Eu amo alguém sem saber porquê.

Tenho presa em mim a ideia do que me completaria e essa ideia tem a cara dela.
E no final do dia é tudo uma chapada invisível, seguida de uma manhã nascida para dar lugar apenas a mais uma noite.

Porque é difícil aceitar a possibilidade de gostar de alguém que conheço tão mal mas que quero tão bem.

Porque se estou frio aqueço-me no teu calor, porque se estou quente arrepio-me na tua língua, e seria tudo tão simples se fosses de mais perto. 

E aqui está ele, senhoras e senhores! Frases soltas porque a cabeça não lhe fica um segundo concentrada e a desconcentração lhe dá tanto prazer!

...

Há sortes invisíveis e acho que és uma delas. 
Sem saber que te amo, sei que sim. Sem saber se estarei contigo, sei que não.
E continuas a ser a mulher mais bonita que já vi, e quando os meus amigos estão fartos que eu o diga, digo-o um pouco mais.

Porque o que interessa não é o que se passará amanhã, quando reler este texto e não sentir o que agora o sono me traz. O que interessa é o que estou a sentir neste preciso momento, prestes a escrever a palavra "certa".

Tal como tu.
A certa, só que sem certezas.

E o pior de tudo é o medo que sinto.
Não o medo de estar errado.
O medo de estar certo.

O medo de te beijar e de não querer mais nenhuma boca.


Para a M.
It is what it is (:

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